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18 de jan. de 2019

Por que uma memória traumática não se apaga com o tempo

Existe uma ideia difundida de forma errônea que se deixarmos a experiência traumática guardadinha lá dentro de nós, um dia a esqueceremos. Mas, infelizmente, isso não vai ocorrer.
As memórias traumáticas afetam o corpo e a mente, gerando patologias mentais e físicas. Como se fosse uma grande fogueira, que alguns dias após o evento traumático se apaga, mas fica uma brasa acesa que com "qualquer ventinho" volta a arder em chamas. Esse "ventinho" são os gatilhos traumáticos como por ex., vivências semelhantes à cena original, sons, cheiros, imagens que ativem, no inconsciente, a memória traumática.
Este acionamento constante do trauma provoca retraumatizações ou o fortalecimento da memória base que aos poucos, se torna uma memória tronco, de longuíssimo prazo.
É isso que faz com que a memória ganhe cada vez mais força e não se apague com o passar do tempo.
Quanto da sua memória você está gastando protegendo lembranças dolorosas e difíceis?! Com o EMDR elas ficam exatamente onde deveriam, no passado. A técnica usada pela Terapia do Reprocessamento descongela as memórias traumáticas, deslocando-as do cérebro emocional para o racional. A dor e o medo vão embora e a vida segue sem a sombra do passado.



19 de set. de 2018

Você conheca a terapia de EMDR?


O EMDR é a Terapia do Reprocessamento que auxilia o seu cérebro a digerir as marcas físicas de experiências vividas e fixadas de forma torcida. Por exemplo: Se você vivenciou uma violência urbana, assalto ou sequestro, seu cérebro registrou como algo tenso e difícil, pois seu corpo sentiu essa tensão e você temeu pela sua integridade física, pela sua vida! Depois desse episódio, ficou registrado, no seu cérebro, uma marca, que poderá não ser bem "digerida" e entendida como "normal", já que, na verdade, não é normal mesmo. Vivemos essa tensão toda no corpo e a marca cerebral está ali para provar que foi vivido sim e que mudaremos nossa visão de mundo depois dessa experiência. 

Então, a partir desse fato, você passa a ter mais cuidado na rua ou passa a ter medo de sair e de passar nos lugares que lhe lembrem o ocorrido. Seu cérebro alerta seu corpo do perigo, quando se aproxima da situação semelhante à violência sofrida. Suas crenças negativas se formaram e se confirmarão dia após dia de que você está em perigo constante. Passará a ficar alerta e tenso. 
Aos poucos, poderá gerar dentro de você um medo tão grande, que poderá virar numa crise de pânico e você não conseguir sair de casa. Isso porque o seu cérebro registrou aquela vivência de forma puramente emocional e por você tentar digeri-la sozinho, cada vez que fala sobre ela, conta sobre o ocorrido, lembra daquilo, produz sonhos (pesadelos) sobre o assunto, está fortalecendo essa memória no seu cérebro, tornado ela uma memória troco e definitiva, que não será esquecida facilmente. 

Aqui entra o EMDR, como um facilitador dessa "digestão" emocional. Ao aplicar a técnica de movimentos bilaterais, associada à racionalização da crença negativa ali sentida, juntamente com as emoções e as sensações físicas, o cérebro reprocessa o trauma vivido, digere a cena emocional, elabora de uma forma mais racional, deslocando a lembrança traumática do local onde estava fixada distorcida. Passa a ser vista de maneira diferente, muitas vezes a cena fica inacessível, ou apenas como flashes de algo distante... Uma fotografia preto-e-branco. 

Assim, você fica livre dos medos que a crença negativa impôs e olha para o passado apenas como algo que lamenta ter vivido, mas que não lhe incomoda nem lhe preocupa mais. 

Tem dúvidas sobre como funciona o EMDR? Se funcionaria no seu caso? Se é eficiente para a sua experiência? Se é possível voltar a ter uma vida sem medos e com liberdade e autonomia? Estou à disposição para tirar suas dúvidas e ajudar você a conhecer melhor essa terapia que é considerada, em muitas partes do mundo, a melhor terapia para limpar as crenças negativas das experiências vividas e reprogramar seu cérebro. 

Você está convidado a conhecer melhor o EMDR!! Acesse minha página no Facebook (https://www.facebook.com/EMDRPOA/) e fique por dentro dessa terapia incrível! E acompanhe aqui no blog, semanalmente, explicações de por que o EMDR deveria ser aplicado a todos nós em algum momento da vida!

4 de mai. de 2018

Apresentando: O seu cérebro

Vamos conhecer hoje um pouco melhor nosso cérebro? 

Temos no cérebro, um Sistema de Processamento Adaptativo de Informação, que carinhosamente irei nomear de PAI. É no PAI que fica localizada nossa capacidade de deletar o que não é mais importante e salvar na memória aquilo que iremos precisar nos próximos dias. Isso tudo acontece durante o sono REM (estágio de movimento rápido dos olhos, que acontece várias vezes durante uma noite de sono). Neste momento, o cérebro tem a capacidade de pegar uma experiência ruim e transformá-la em aprendizado. Isso é o funcionamento normal do nosso cérebro, para todas as experiências. 

No entanto, algumas experiências vividas, com forte carga emocional, podem sobrecarregar o sistema PAI, impedindo que se alcance uma resolução. Em vez disso, o cérebro grava na memória a experiência da maneira como foi vivenciada, ficando tudo armazenado de forma crua, sem o processamento. E o que temos como consequência disso é que toda vez que entramos em contato com algo que o nosso inconsciente (ou até o consciente) percebe relação com a experiência vivida, automaticamente reage, pois as conexões cerebrais são realizadas antes que a pessoa possa pensar racionalmente a respeito. 

Outra complexidade dessa rede associativa é que o evento vivido é armazenado na memória pelo sistema de processamento de informação de forma isolada, não a integrando no sistema de memória geral (com cena, sentimento, sensação física, percepção, etc) e por isso é tão difícil curar algumas dores e marcas do passado sozinho. Esses acontecimentos ficam congelados no tempo e basta um simples "disparador" para voltarem com força total, sem nos darmos conta dos motivos, causando problemas emocionais e até físicos. 

O cérebro humano ainda está sendo estudado, mas muito já foi entendido, baseado em exames de mapeamento cerebral e em acompanhamento de casos com estresse pós-traumático, que possibilitaram estes registros. Se o cérebro não se adapta ao evento, cria uma marca, como uma "mancha", e ela não vai sumir sozinha, pois foi registrada fisicamente nessa estrutura orgânica. Apenas alguns tipos de tratamento podem ter tal alcance e resultados efetivos e uma deles é o EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento pelos Movimentos Oculares). Esta psicoterapia, descoberta na década de 80 nos Estados Unidos, atua exatamente na memória gravada de maneira torcida no cérebro e desloca (fisicamente) a memória doente para uma região mais adaptativa, mandando o estresse e a dor emocional embora. Isso foi comprovado por exames de imagem cerebral realizados antes e depois de uma sessão de EMDR. 

Portanto, é importante você avaliar o peso que as dores emocionais têm na sua vida. São pequenos pontos quase imperceptíveis, ou são fissuras que sangram cada vez que tocadas? E se alguém descobre essa fissura e usa para te ferir mais ainda, não apenas tocando sem querer, mas apertando ela numa discussão? A dor é muito maior, não é? 

Quanta energia mais você pretende despender para se manter sofrendo ao mesmo tempo que vai vivendo, amando, trabalhando e se relacionando? Energia que poderia estar sendo usada para você ser feliz! Será que não está na hora de repensar suas prioridades?

21 de mar. de 2017

Depoimentos: O que sentiu na prática quem passou pelo tratamento com EMDR - Parte 2

 Olá! Neste segundo momento de depoimentos, trouxe alguns casos de homens que tiveram benefícios com o EMDR. Para o homem, um ser muito racional, que deseja resultados rápidos e efetivos, deseja não sair de sua rotina nem mudar seus planos para encaixar as mudanças que a terapia traz, o EMDR serve perfeitamente. Um deles, o primeiro caso que vou citar, já vinha de longos anos de terapia, com mais de uma profissional, mas sempre com aquele sensação de que faltava algo. Este algo, ele sentiu com o EMDR. Acabou parando o tratamento antes que tivéssemos resolvido tudo o que era necessário, mas mesmo assim, já teve outro olhar frente ao que sentia. Já o segundo caso, nunca tinha feito terapia. Homem de negócios, correndo no dia-a-dia, sem dar atenção aos medos bobos que vivia. Até que um colega de trabalho me indicou. Resolveu ver qual era desse tratamento. Tratou mais do que apenas um dos medos que trazia. Grande resultado!

"Na minha rotina, eu muitas vezes me deparava com um tipo de situação que me causava muito medo e me fazia me ausentar dos lugares - ou sentir uma grande angústia caso não o fizesse. Era algo que prejudicava meus compromissos pessoais e profissionais. O EMDR me ajudou a quase eliminar este medo específico e hoje vivo as mesmas situações do passado sem a carga emocional que antes tomava conta de mim."
JFR, 34 anos

 O que acontecia aqui era que algumas situações traziam de volta a sua "criança interna", que estava ferida, com medo, acuada. Quando conseguimos acolher essa criança, protegê-la e fazê-la se sentir bem em se mostrar (sem se expor), ele conseguiu não sofrer mais nestes momentos.

 No segundo caso, o paciente veio tratar uma situação bem específica: medo de temporal. Inicialmente parece um medo bobo, mas muitas pessoas passam por isso e só quem sente sabe o estresse que o cérebro gera no corpo quando as nuvens no céu começam a escurecer e a previsão da meteorologia anuncia vento forte e chuva.

 "Estou bem. Às vezes até me surpreendo quando o tempo se prepara de maneira "nervosa" (temporal), não entro em pânico. Procuro administrar a situação conforme o tratamento recebido pela minha Terapeuta. (...) É horrível conviver com este pânico que vai tomando conta da gente. Muito obrigado por ter me ajudado."
AP, 52 anos

 Nas pequenas atitudes do dia-a-dia, ele se deu conta de que aquilo não lhe incomodava mais da maneira intensa como antes do tratamento. Se preocupava sim, mas como todos os demais... Não era mais um descontrole emocional e físico, que o fazia largar tudo e voltar correndo pra casa ou correr para um lugar "seguro", como um shopping, onde não veria nada, caso houvesse algum estrago ocorrido pelo vento.

 As coisas que vivenciamos no passado não podemos mudar. Podemos sim mudar nossa forma de enxergá-las, de vivê-las, de senti-las. O cérebro vai transformar aquela memória que foi fixada de forma doente e distorcida, fixando num novo lugar a memória mais adaptativa. Quando se tenta acessar a memória traumática, não é mais possível. Se tem acesso à nova memória, adaptativa e racional, aquela que não traz o aperto no peito, não faz as mãos suarem nem o coração acelerar. A memória criada para fazer a razão falar mais alto que a emoção e permitir, assim, que as dores fiquem no passado.

25 de fev. de 2017

Depoimentos: O que sentiu na prática quem passou pelo tratamento com EMDR - Parte 1

 Olá. Hoje vim trazer algo um pouco mais palpável pra quem não conhece a terapia do reprocessamento e tem vontade de entender o que acontece com quem se tratou com ela. O EMDR só se entende quando se vivencia. Assim foi quando fiz o curso. A professora Esly Carvalho, no primeiro módulo do curso, nos deu um dia de teoria e no segundo dia nos juntamos em duplas para praticar: praticar os movimentos bilaterais, praticar seguir o passo-a-passo do protocolo de 8 fases, praticar sentir na pele o que o paciente iria sentir ao tratar suas questões emocionais com o EMDR. E foi incrível! Eu ver meus pequenos medos do passado se dissiparem com alguns movimentos de dedos frente aos meus olhos, foi inacreditável!
 Por isso que depoimentos sempre dão mais veracidade ao que os terapeutas falam e falam sobre suas teorias. A partir de hoje, vou começar a trazer alguns depoimentos de pacientes que tratei com o EMDR e que super indicam a técnica. Vamos juntos?

"Quando conheci o EMDR estava me preparando para enfrentar uma cirurgia bariátrica. Como de praxe para os exames pré-operatórios, deveria passar por uma avaliação psicológica e, depois de muito conversar com a Deise, percebemos que eu tinha vários traumas enraizados, vinculados a procedimentos médicos. Portanto, ela me sugeriu aplicar a técnica. Quando pesquisei, confesso que achei uma bobagem. Assisti a um vídeo no youtube que mais parecia uma encenação e, cética e racional como sou, duvidei que fosse funcionar. Entretanto, não vi mal em tentar. Focamos em um problema, instalamos mentalmente um lugar seguro para onde eu pudesse fugir caso fosse necessário, e começamos os movimentos bilaterais, que eu escolhi que fossem por meio de toques, no joelho e, do nada, um filme foi passando na minha cabeça. Me senti teletransportada para outro lugar e fui sendo guiada pela voz da Deise e pelos movimentos bilaterais. Foi simplesmente incrível e é difícil de explicar. O objetivo era chegarmos ao que originou meu trauma e dessensibilizarmos todos os acontecimentos, para que, quando eu me lembrasse, fosse possível suportá-los e não incidissem mais na vida atual. O mais interessante é que me recordei de coisas das quais eu nem lembrava. Aqui, o que foi tratado foi especificamente meu medo de agulha. Como eu poderia enfrentar uma cirurgia, com anestesia, aplicação de soro na veia e anticoagulante se tivesse pânico de agulha? O que posso dizer é que deu super certo. Não só me libertei desse medo como ainda incutimos em mim palavras positivas. Durante todo o tempo eu dizia "eu consigo suportar", e acreditava nisso, o que acabou funcionando. Não preciso nem dizer que a cirurgia foi um sucesso, né? A minha recuperação foi tão incrível que nem dor eu senti. Sim, pela primeira vez na vida eu dispensei os analgésicos, não quis tomar nenhum. E em 2 dias eu já estava inclusive subindo e descendo escadas e trocando os meus próprios curativos. Para quem não acredita, como eu não acreditava, o EMDR funciona sim e, melhor, tem efeito imediato! É muito diferente daquelas terapias que passamos meses conversando e analisando determinado assunto. Super recomendo."
MC, 31 anos

 O "Eu consigo suportar", que foi repetido pela paciente como um mantra, é o que chamamos de Crença Positiva e ela ocupa, no nosso cérebro emocional, o lugar que antes era da Crença Negativa. Quando iniciamos a fase 4 do protocolo, que é a fase de dessensibilização e reprocessamento da cena escolhida como traumática, medimos a validade dessa crença positiva, numa escala de 1 a 7, sendo 1 completamente falsa e 7 completamente verdadeira. Isto é, o quanto a pessoa SENTE que aquelas palavras são verdadeiras quando faladas pensando na cena a ser trabalhada. Se a crença negativa é forte, por exemplo "Não vou conseguir", "Não consigo suportar", a crença positiva deve ter uma validade bem baixa, tipo 1 ou 2 nesta escala. 

 A medida que dessensibilizamos, retirando a carga emocional negativa da cena lembrada, e reprocessamos, tornando-a mais racional e menos emocional, a crença negativa perde a força e a positiva aumenta a validade. Terminamos a sessão com a cena traumática não incomodando mais, a crença negativa sem valor e a positiva com um grau 6 ou 7. E isso tudo não é só falado, da boca pra fora. É sentido! Com todas as emoções envolvidas, com as sensações físicas que a pessoa vai sentindo a medida que lembra do trauma... Então não tem como se enganar: ou você ainda se incomoda ao pensar naquilo ou não. Seu corpo denuncia, não tem jeito de camuflar!