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18 de jan. de 2019

Por que uma memória traumática não se apaga com o tempo

Existe uma ideia difundida de forma errônea que se deixarmos a experiência traumática guardadinha lá dentro de nós, um dia a esqueceremos. Mas, infelizmente, isso não vai ocorrer.
As memórias traumáticas afetam o corpo e a mente, gerando patologias mentais e físicas. Como se fosse uma grande fogueira, que alguns dias após o evento traumático se apaga, mas fica uma brasa acesa que com "qualquer ventinho" volta a arder em chamas. Esse "ventinho" são os gatilhos traumáticos como por ex., vivências semelhantes à cena original, sons, cheiros, imagens que ativem, no inconsciente, a memória traumática.
Este acionamento constante do trauma provoca retraumatizações ou o fortalecimento da memória base que aos poucos, se torna uma memória tronco, de longuíssimo prazo.
É isso que faz com que a memória ganhe cada vez mais força e não se apague com o passar do tempo.
Quanto da sua memória você está gastando protegendo lembranças dolorosas e difíceis?! Com o EMDR elas ficam exatamente onde deveriam, no passado. A técnica usada pela Terapia do Reprocessamento descongela as memórias traumáticas, deslocando-as do cérebro emocional para o racional. A dor e o medo vão embora e a vida segue sem a sombra do passado.



4 de mai. de 2018

Apresentando: O seu cérebro

Vamos conhecer hoje um pouco melhor nosso cérebro? 

Temos no cérebro, um Sistema de Processamento Adaptativo de Informação, que carinhosamente irei nomear de PAI. É no PAI que fica localizada nossa capacidade de deletar o que não é mais importante e salvar na memória aquilo que iremos precisar nos próximos dias. Isso tudo acontece durante o sono REM (estágio de movimento rápido dos olhos, que acontece várias vezes durante uma noite de sono). Neste momento, o cérebro tem a capacidade de pegar uma experiência ruim e transformá-la em aprendizado. Isso é o funcionamento normal do nosso cérebro, para todas as experiências. 

No entanto, algumas experiências vividas, com forte carga emocional, podem sobrecarregar o sistema PAI, impedindo que se alcance uma resolução. Em vez disso, o cérebro grava na memória a experiência da maneira como foi vivenciada, ficando tudo armazenado de forma crua, sem o processamento. E o que temos como consequência disso é que toda vez que entramos em contato com algo que o nosso inconsciente (ou até o consciente) percebe relação com a experiência vivida, automaticamente reage, pois as conexões cerebrais são realizadas antes que a pessoa possa pensar racionalmente a respeito. 

Outra complexidade dessa rede associativa é que o evento vivido é armazenado na memória pelo sistema de processamento de informação de forma isolada, não a integrando no sistema de memória geral (com cena, sentimento, sensação física, percepção, etc) e por isso é tão difícil curar algumas dores e marcas do passado sozinho. Esses acontecimentos ficam congelados no tempo e basta um simples "disparador" para voltarem com força total, sem nos darmos conta dos motivos, causando problemas emocionais e até físicos. 

O cérebro humano ainda está sendo estudado, mas muito já foi entendido, baseado em exames de mapeamento cerebral e em acompanhamento de casos com estresse pós-traumático, que possibilitaram estes registros. Se o cérebro não se adapta ao evento, cria uma marca, como uma "mancha", e ela não vai sumir sozinha, pois foi registrada fisicamente nessa estrutura orgânica. Apenas alguns tipos de tratamento podem ter tal alcance e resultados efetivos e uma deles é o EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento pelos Movimentos Oculares). Esta psicoterapia, descoberta na década de 80 nos Estados Unidos, atua exatamente na memória gravada de maneira torcida no cérebro e desloca (fisicamente) a memória doente para uma região mais adaptativa, mandando o estresse e a dor emocional embora. Isso foi comprovado por exames de imagem cerebral realizados antes e depois de uma sessão de EMDR. 

Portanto, é importante você avaliar o peso que as dores emocionais têm na sua vida. São pequenos pontos quase imperceptíveis, ou são fissuras que sangram cada vez que tocadas? E se alguém descobre essa fissura e usa para te ferir mais ainda, não apenas tocando sem querer, mas apertando ela numa discussão? A dor é muito maior, não é? 

Quanta energia mais você pretende despender para se manter sofrendo ao mesmo tempo que vai vivendo, amando, trabalhando e se relacionando? Energia que poderia estar sendo usada para você ser feliz! Será que não está na hora de repensar suas prioridades?

12 de jul. de 2016

Os traumas do passado sempre voltam, mais cedo ou mais tarde

 E depois de alguns meses ocupada, aqui estou de volta, com mais uma reflexão. O que me faz pensar hoje é sobre o quanto as pessoas se esquecem do que viveram no passado, de uma vivência dolorosa, mas não são esquecidas por este fato. Os traumas e sofrimentos vividos no passado servem de apoio aos nossos medos do presente e são os fortalecedores das nossas crenças negativas, aquelas que nos guiam um dia após o outro nas nossas decisões.

 Dia desse conversando com uma amiga, que tem uma filha adotiva, ela me contava como foi o início dessa linda relação de amor, entre ela e a menina, hoje com quase 10 anos. A pequena nasceu no lar de uma vizinha, sem estrutura nenhuma, nem financeira, nem emocional. Vez ou outra a vizinha deixava a linda menina aos cuidados dessa amiga, pois precisava sair e não tinha com quem deixar. Detalhe: já não era o primeiro filho e a família vivia com bastante dificuldade. Nada fora do comum do que vemos acontecer cada vez mais nas classes menos favorecidas.

 No entanto o carinho e os cuidados de minha amiga para com esse anjinho fez com que ambas se apegassem uma a outra e quando a família decidiu ir embora, minha amiga não teve dúvida, ficou com a guarda da menina. Foi tudo legalmente decidido e resolvido a essa florzinha pôde desabrochar num lar cheio de carinho, atenção, amor, cuidados, preocupações e tudo o que deveria ser tão natural e é tão essencial para um desenvolvimento humano. Mas infelizmente não era o que ela havia tido de experiências até aquela idade, mais ou menos 2 anos, enquanto vivia com a família de origem. Minha amiga sabia, mas não podia fazer nada até aquele momento. A menina era usada pela mãe para que o pai não batesse nela, servia de escudo mesmo, barreira física. Uma lástima! Uma marca, muito profunda, que ninguém merece carregar!

 Bom, o desfecho da história todos nós sabemos: medos das mais variadas formas e proporções tomaram conta dessa criança à medida que foi se desenvolvendo. A insegurança de se afastar, ou o dormir longe daqueles com quem se sente segura é um problema vivido até hoje. Alguns tratamentos já foram realizados para ajudar essa linda menina, cheia de dons e virtudes, a acalmar o coração e as emoções. Mas um início de vida tão tumultuado não tem como passar sem deixar marcas.

 Os adultos não têm a mínima noção de como uma criança vivencia os problemas deles, principalmente se são enfiados no meio, como se fossem simples bonecos, fantoches... Qualquer criança pode, por inúmeras razões, vivenciar problemas na sua mais tenra infância, até mesmo ainda dentro da barriga, que poderão gerar problemas depois que crescer. O que elas não precisam é viver com isso e passar adiante nas próximas gerações, na convivência com as pessoas, na criação dos filhos... Pois isso está dentro dela e rege suas decisões. É preciso limpar a memória salva de forma disfuncional, defeituosa, limpar a carga emocional gravada de forma não adaptativa para deixar a pessoa livre desse crença que rege seus passos, sem que ela se dê conta disso.

 Uma ferida aberta dói. Às vezes achamos que ela cicatrizou e que o "tempo cura tudo". Mas quem tem o olhar um pouco mais sensível percebe que não. Qualquer machucado infeccionado, só cicatriza se for tirada a infecção. E o EMDR pode fazer isso com as feridas emocionais. Por isso, muitas vezes, volta a doer durante o processo terapêutico. Mas é como eu sempre falo: Vai doer uma última vez! Para limparmos a infecção e deixarmos o emocional cicatrizar de forma natural, o que não pôde fazer quando houve o corte, o trauma.

9 de nov. de 2015

Nosso cérebro, nossas emoções, nosso guia

 Como é interessante o poder do nosso cérebro! A incrível capacidade que temos de seguir aquilo que acreditamos, seja algo positivo ou negativo, tem uma força e poder inimagináveis! Assim como conseguimos acreditar no que nos dizem, mesmo sendo uma mentira, também conseguimos criar a nossa verdade, aquela em que nosso cérebro vai acreditar e nos guiar diariamente.

 Eu sempre achei incrível a reação que algumas pessoas têm durante o tratamento de EMDR, durante o reprocessamento de um cena dolorosa, traumática. O cérebro, depois de dessensibilizar tudo o que podia, tirar todo o sofrimento e carga emocional negativa de cima da cena traumática, "inventa" uma maneira da pessoa conseguir suportar o vivido, fazendo com que ela veja aquilo que aconteceu de outra maneira e que se sinta mais forte para enfrentar o passado assim. Sempre cito nas minhas sessões o caso de uma paciente que avaliei para cirurgia da obesidade, há alguns anos, e que trazia uma dor grande dentro de si, uma vergonha que havia passado por ser obesa. A maneira como ela reconstruiu a cena original, reagindo àquela dor, mostrando o seu valor, foi tão incrível e ela acreditou tanto naquilo que depois, quando eu pedia para ela acessar a cena original novamente para medirmos o grau de perturbação, ela não conseguia mais. Só tinha acesso à "nova cena", a que o cérebro havia criado para reparar a dor da cena original.

 Por isso que sempre digo aos pacientes: Não importa se aconteceu ou não. Se você enxergar, se você acreditar nisso, vai sentir isso e será verdade pra você. Essa regra se dá tanto na criação da ferida, no momento do trauma, quanto depois, no reprocessamento. Pois, já que não podemos apagar o passado e fazer uma nova história, o cérebro se encarrega de reparar aquela cena da melhor maneira possível, sendo substituindo-a por uma nova cena, suportável ou engraçada, seja apagando aquela lembrança, distanciando a pessoa da lembrança, tornando o que era tão vívido, com cores, cheiros, gostos, sons... algo cinza, estático e distante. Uma fotografia, de um passado que não mete mais medo. E aqui está a cura, a libertação.

 Pensando em toda esta capacidade que nosso cérebro tem, ainda lembro de mais uma coisa: quando o paciente está tão engajado na terapia, desejando tanto aquela ajuda, sair daquele sofrimento, enxergar novamente a luz no fim do túnel... o reprocessamento ainda nem começou e ele já sente melhora nos aspectos conversados na terapia, enquanto estamos montando o protocolo. Muitas vezes isso acontece por ele poder estar desabafando com alguém um peso que carregava sozinho. Outras vezes, por saber que aquela pessoa que o escuta, não está ali para julgá-lo, para apontar o dedo e dizer que a culpa também foi dele, mas simplesmente para ouvir e ajudar. Depois que se abre, já começa a se sentir mais leve e quando iniciamos o reprocessamento, a evolução é muito mais rápida.

 Mas da mesma forma o peso de uma Crença Negativa também pode afundar. Às vezes ela é tão verdadeira para aquela pessoa, que não importa o quanto todo mundo ao redor diga que é bobagem, ela continua acreditando e sabe que aquilo é muito mais forte do que ela. A Crença Negativa aprisiona, limita os passos, impede a realização de atos, de sonhos. Prende a pessoa dentro do seu círculo, da sua zona de conforto a impedindo de ver possibilidades além. E uma Crença Negativa ainda pode ser limitante, fazendo com que a pessoa se sinta impossibilitada de várias coisas na vida, muitas vezes a trancando dentro de casa.

 Claro que muita gente não sabe e não acredita numa libertação. Não entende que durante sua trajetória, algumas coisas foram acontecendo e sendo fixadas no seu cérebro emocional como verdades, fortalecendo Crenças Negativas criadas sem força racional. Muitas formas de terapia auxiliam, aliviam o sofrimento, trazem paz e possibilitam seguir a vida com menos dor. Mas só o EMDR trabalha o exato ponto em que tudo começou. O motivo original da dor, do bloqueio, onde o cérebro se fixou, onde a crença se formou e os momentos em que ela se fortaleceu. Limpando isso, o cérebro se liberta, reprocessa tudo de forma mais racional e é capaz de viver novas experiências sem medo.

5 de set. de 2015

Ansiedade e angústia também se resolve com EMDR?



Cada vez mais ouvimos as pessoas dizerem que são ansiosas, ou que andam angustiadas com este ou aquele problema para resolver. Eu, no consultório, tenho a grande maioria dos pacientes com a queixa de ansiedade, muitas vezes sem uma causa específica. Muitos chegam preocupados, desestabilizados e se perguntando se a terapia de EMDR pode ajudar nos casos de ansiedade.

O que temos visto e lido na literatura da área é que toda e qualquer patologia ou desestabilização emocional tem uma origem. E é essa origem que o EMDR ataca, é onde a terapia tem o seu efeito. No momento em que se descobre o que causa a ansiedade, tem-se o foco do trabalho. E como o EMDR trata um foco de cada vez, focamos na causa e eliminamos ela. É uma terapia centrada num alvo específico e enquanto este alvo não diminui o grau de perturbação para aquele que sofre, não saímos de cima dele.

No entanto, o mais interessante é que, ao ler isso, você pode pensar que vai demorar dois ou três meses em cima deste alvo até que ele não perturbe mais... É aqui que entra a eficiência da terapia. Tive casos que em duas sessões, de uma hora cada, o que atormentava terrivelmente havia ido embora. É fantástico e muito satisfatório ver o semblante de uma pessoa que entra no consultório atormentada por uma medo, que acredita não ser possível de eliminar, sair sorrindo, leve e nem acreditando no que está sentindo.

Se é desconforto, angústia, ansiedade, tristeza profunda, irritabilidade, ou seja lá o que estiver fora do normal, o EMDR pode dar um jeito. A terapia faz a pessoa entender racionalmente o que se passou, aceitar de outra forma, por outro ponto de vista aquilo que marcou negativamente. Pois quando um pequeno ou grande trauma acontece, não importa o quão racional tentemos ser. Nessa hora, somos só emoção. É ela quem dita nossos passos e nos faz repelir qualquer semelhança de cena, som, cheiro ou imagem daquilo que atormenta. Acabamos nos afastando de algumas coisas, reagindo mal a outras, muitas vezes sem entender ou saber a causa. Tudo está gravado no nosso emocional e o EMDR consegue chegar lá. Trata a ferida aberta, limpa e possibilita a sua cicatrização.

15 de mai. de 2013

Um ano depois...

Pois é, um ano se passou desde a última postagem. O tempo passa muito rápido quando a gente se envolve com aquilo que ama. Além do trabalho, ainda veio a gestação de uma linda princesinha, que está fazendo dois meses no final do mês.

Venho agora atualizar meu blog e acrescentar minha intenção de voltar a escrever sobre EMDR seguidamente. Adoro meu trabalho e por isso não consegui ficar muito tempo longe do consultório. Sei que um dia minha, hoje pequena, Alice vai entender.

Sejam todos bem-vindo de novo. Quem já conhece a técnica e sabe seus benefícios, aproveite para aprender um pouco mais dos poderes da nossa mente. Para os que não conhecem ainda, lhes apresento uma fascinante técnica de psicoterapia, capaz de devolver (ou dar pela primeira vez) a qualquer pessoa a capacidade de ser feliz e de ir atrás de seus sonhos, sem medo.

Você é o autor de sua vida! Você é o escritor de seu destino! Faça dele o que quiser e se achar que não consegue, posso lhe ajudar a descobrir que dentro de você existe uma força capaz de mudar desde um simples medo de dirigir até uma grande ferida aberta devido a um trauma de infância.