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8 de jan. de 2019

As minhas dores... As suas dores

Olá! Como tem passado? Quero lhe convidar a fazer uma viagem para dentro de você. Venho pensando em quantas vezes já iniciei e parei terapia, com diferentes psicoterapeutas, dando diferentes enfoques, ora no pessoal, ora do profissional, ora no relacionamento amoroso... Isso nos ajuda a nos voltarmos para dentro e deixar de lado o exterior, o que os outros pensam de nós, o que os outros esperam de nós.  

Todos carregamos alegrias e tristezas, sucessos e frustrações. Todos rimos e choramos e tentamos ser fortes quando precisam de nós. Porém, muitas vezes, nós precisamos de nós mesmos e não damos a mesma atenção. Não conseguimos dizer “não” a alguém que abusa da nossa amizade ou da nossa dedicação, por medo de decepcionar o outro. Mas não temos medo de decepcionarmos a nós mesmos. Não conseguimos ignorar uma ofensa, uma risada irônica, uma provocação, porque precisamos provar para o outro, alguma coisa, provar que temos razão, que estamos certos, que somos fortes, que temos argumento... No entanto, agindo assim, perdemos o valor próprio, perdemos a razão, perdemos a postura, nos perdemos, nos magoamos e, muitas vezes, magoamos o outro. Você pode até dizer: “Não  nem aí se magoei aquele alguém! Ninguém mandou me tratar assim!” Mas depois o tempo passa e fica um gosto amargo na boca, uma sensação de desacomodação de que não precisava ter feito tudo aquilo. Isso porque a nossa consciência sabe o que é certo e o que é errado. E tratar os outros como não gostamos de ser tratados, não é legal. 

Temos o hábito de nos sentirmos injustiçados quando algo acontece conosco, quando somos fechados no trânsito, quando nosso filho sofre bullying, quando alguém nos ofende de graça. Mas dificilmente conseguimos aceitar quando nos criticam, quando nós estamos errados no trânsito, quando é o nosso filho (ou até nós mesmos) quem provoca o bullying e quando somos nós a ofender, desconfiar, magoar o outro. Afinal, temos o direito! Ou então, foi só uma brincadeira... Ou ainda, não estávamos bem aquele dia... Será? Temos o direito de tratar os outros e julgá-los como bem entendemos, por quê? 

Me dói andar pelas ruas e ver o quanto o ser humano é cada vez mais egoísta e nunca se coloca no lugar do outro. Me irrita e me incomoda mães e pais que só pensam no bem-estar dos seus próprios filhos e não nas outras crianças que frequentam a mesma escola, o mesmo clube, a mesma pracinha. “Ah, se meu filho não tem nenhuma necessidade especial, por que vou me preocupar com isso?”, “Se eu tenho um carro confortável e ando pela rua tranquilo, por que tenho que me preocupar com o outro que está no carro ao lado, na moto, a pé ou no ônibus?”... 

A minha dor é ver uma sociedade cada vez mais preocupada com valores que não são os mais importantes, deixando de lado o que realmente importa! Muitos ainda acham que o mundo é dos espertos, dos malandros, de quem dá o seu “jeitinho” pra conseguir o que quer. E por isso as coisas só pioram! A justiça é para me proteger, não para me acusar, mesmo se eu estiver errado. Triste, muito triste... 

Me dói ouvir/ver na clínica e nas redes sociais o sofrimento de pessoas despreparadas para enfrentar o mundo, porque os pais não souberam olhar para aquelas crianças e adolescentes e só pensaram em si! Geraram traumas, dores e sofrimentos a toda uma geração que agora anda por aí, frustrada, buscando satisfação imediata em tudo, se entregando a vícios e desenvolvendo aparelhos cada vez mais rápidos e evoluídos para corresponder às suas expectativas de progresso e agilidade. Mas a que preço?! 

Às vezes me deparo com um casal dentro do elevador, cada um no seu celular, enquanto um pequeno ser de 2 anos se pendura nas pernas de um e de outro. Daí me pergunto: como é essa família quando chega em casa, quando vão ao parquinho, ou estão na mesa de jantar? Será que vão ao parquinho?!! Jantam juntos numa mesa?!! Nossa, tudo isso me impressiona e me choca tanto! Para onde estamos levando nosso progresso social e material? Onde estamos deixando nossos relacionamentos, nossas trocas?  

Hoje em dia, se sentimos a falta de alguém, apenas mandamos um “Estou com saudades!” numa foto do face ou do insta da pessoa e tudo bem. Sinta-se beijada e abraçada, pois aquela amiga, vizinha, comadre ou irmã que antes vinha conviver com você, lhe olhava nos olhos e lhe abraçava forte, agora está declarando isso ao mundo, pelas redes sociais! Nossa que máximo!!! Desculpa, mas eu não acho. Ando triste com esse tipo de manifestação, vendo as pessoas que amo cada vez mais longe de mim, pois têm mil coisas para fazer e não têm mais tempo de vir tomar um café na minha casa. 

Essas são dores que carrego comigo e não é de hoje. Você já vem percebendo isso também? Tem olhado ao seu redor e visto de que maneira as pessoas têm se distraído, se divertido? Elas se fecham no seu mundo, com a cara no seu celular, em frente ao seu computador, como você está fazendo agora. Mas não pense que ler esse texto será mais importante do que brincar com seu filho, abraçar seu marido ou esposa que chegou da rua, prestar atenção no trânsito, pois o sinal já abriu, olhar para quem necessita do seu sorriso, da sua palavra de apoio... Que a minha dor, a nossa dor possa mudar o rumo com que as coisas estão evoluindo! 

Me conta aqui como você tem percebido isso ultimamente. Se você despertou para essa realidade ou se acredita que está tudo bem assim, que estamos no caminho certo. É importante pra mim, como observadora e interessada nas emoções humanas, saber como você se vê nesse momento evolutivo e como você está se preocupando com a sua evolução pessoal. 

Muito obrigada!

10 de jul. de 2018

Roda de conversa para profissionais de psicologia


Se você está no final do curso de Psicologia, ou já se formou, ama a clínica, mas não tem ideia de por onde começar depois que se formar;
Ou se já se formou e atua na área clínica, mas os pacientes/clientes não vêm até você na quantidade que você gostaria;
Ou se você se formou em Psicologia, nunca trabalhou na área clínica, mas agora está interessado em entrar para este nicho e precisa saber o que fazer;
Ou ainda se você tem medo e dúvidas se vai conseguir se manter financeiramente com a clínica...
Então você não pode perder este bate-papo comigo!
Sou formada há 14 anos, sempre trabalhei na clínica e quero te dar muitas dicas de como a clínica pode realizar qualquer profissional de Psicologia. Sua maneira de ver esta possibilidade vai mudar os seus conceitos.
Espero você no dia 06/08/18, das 13h às 14:30, na charmosa Casa Camaleão, em Porto Alegre (https://www.facebook.com/pcamaleao/?ti=as). Você vai sair cheio de ideias e ainda colaborar com a nossa causa, dando uma contribuição de apenas R$ 10,00, para ficar por dentro de algumas sacadas de como fazer a clínica dar realmente certo e realizar aquilo que você deseja na sua área profissional.
Confirme sua participação neste evento através do face ou dos telefones (51) 997420399 - meu whatsapp, ou (51) 3105-3108 - fone da Casa Camaleão.
São poucas vagas, então garanta já a sua participação e chegue na frente dos demais na realização dos seus sonhos!
Te espero dia 06 pra essa roda de conversa!

27 de out. de 2015

Medos nossos de cada dia

É incrível o quanto que à medida que atendemos mais e mais casos diferentes (mas nem tanto!), passamos a ter um conhecimento maior até do que o paciente está pensando. Nós, terapeutas, do lado de cá, vamos descrevendo para o paciente, sofrendo do lado de lá, o que ele está sentindo, como o cérebro dele se comporta diante do medo e como ele lida com o mundo quando está aprisionado no trauma. Ele pensa que é o único a sentir aquilo tudo, a perder o controle, a não conseguir raciocinar direito e a saber tudo na teoria, mas na prática é um fracasso. Daí enquanto vamos descrevendo como se sente, ele vai se identificando com as características. Então podemos lhe dizer: "Você não é o único!"

Quem viveu algum trauma, pequeno ou grande, e percebe as consequências que este episódio teve na sua vida, não se dá conta que no mundo à sua volta, milhares de pessoas passam pela mesma situação diariamente. Claro que cada um vivencia as situações iguais de forma diferente, mas a impossibilidade de lutar contra aquilo, de mudar o que sente, de agir diferente é igual pra todo mundo. O cérebro é incrível mesmo! E nós conseguimos doutriná-lo durante a terapia de EMDR, durante o período de reprocessamento, em que o terapeuta ajuda o paciente a entrar em contato com suas dores e dessensibilizar tudo, reprocessando a lembrança, que vai perdendo força, cor, presença e importância.

Acho tão maravilhoso quando me relatam que não conseguem mais acessar a lembrança difícil, ou que ela parece menos colorida, parece uma foto estática, o som sumiu, mudou alguma parte da cena etc. São as adaptações que o cérebro faz durante o reprocessamento, para curar a ferida, torná-la desimportante, sem o peso que sempre teve. Sempre explico que o que aconteceu, não pode ser mudado. Mas durante os movimentos bilaterais, o cérebro "cria" uma nova imagem em cima da imagem que realmente aconteceu. A partir desta criação, muitas vezes o paciente perde acesso à imagem original, pois neste momento, não importa se aconteceu ou não, o que importa é o que o cérebro está guardando como memória e é isso que vai valer daqui pra frente. Mesmo que seja algo inventado, uma mentira, digamos assim. Aquela velha frase: Uma mentira que é repetida muitas vezes, se torna uma verdade. Pro cérebro é assim. Se ele acredita naquilo, é a verdade. É só o que importa. Aqui se faz a cura. Para muitos pacientes isso nem é necessário acontecer. Os insights que vêm, são tão reconstruidores do ego e daquilo que estava abalado, que apenas o distanciamento da cena já é suficiente.

Mas lembre-se, um trauma não foi vivido apenas com uma imagem. Todos os nossos sentidos estavam aguçados naquele momento de medo. Visão é a principal, mas às vezes ela nem está tão presente assim, pois pode ter acontecido no escuro e a pessoa não ter podido ver nada, só sentir. E por isso os outros órgãos dos sentidos fazem o papel de guardar também as impressões do momento: o tato (um toque? um tapa? uma carícia? um apertão?), o cheiro (da pessoa? do lugar? da comida?), o som (de passos? de voz ou vozes? do mar? de uma fábrica?) e o gosto (do hálito do outro? de um alimento? uma bebida? outro objeto?). E é por isso que não podemos apenas trabalhar a imagem da cena (se houve uma) sem trabalhar todos estes detalhes captados pelos demais órgãos. O grau de perturbação só vai zerar quando zerarmos todas as más percepções que os 5 sentidos fizeram daquele momento.

Para quem trabalha com EMDR isso é muito claro. Pena que não é tão claro para as demais linhas teóricas, que fazem o paciente ficar falando, falando e falando daquilo que vivenciaram, sem se darem conta que assim ativam apenas a lembrança da imagem, da dor sentida, que muitas vezes precisa ser revivida mil vezes durante meses ou anos de sessões com pouco resultado. Com o EMDR, focamos, atingimos o alvo, limpamos a ferida e permitimos que as emoções cicatrizem sem deixar marcas.