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19 de set. de 2018

Você conheca a terapia de EMDR?


O EMDR é a Terapia do Reprocessamento que auxilia o seu cérebro a digerir as marcas físicas de experiências vividas e fixadas de forma torcida. Por exemplo: Se você vivenciou uma violência urbana, assalto ou sequestro, seu cérebro registrou como algo tenso e difícil, pois seu corpo sentiu essa tensão e você temeu pela sua integridade física, pela sua vida! Depois desse episódio, ficou registrado, no seu cérebro, uma marca, que poderá não ser bem "digerida" e entendida como "normal", já que, na verdade, não é normal mesmo. Vivemos essa tensão toda no corpo e a marca cerebral está ali para provar que foi vivido sim e que mudaremos nossa visão de mundo depois dessa experiência. 

Então, a partir desse fato, você passa a ter mais cuidado na rua ou passa a ter medo de sair e de passar nos lugares que lhe lembrem o ocorrido. Seu cérebro alerta seu corpo do perigo, quando se aproxima da situação semelhante à violência sofrida. Suas crenças negativas se formaram e se confirmarão dia após dia de que você está em perigo constante. Passará a ficar alerta e tenso. 
Aos poucos, poderá gerar dentro de você um medo tão grande, que poderá virar numa crise de pânico e você não conseguir sair de casa. Isso porque o seu cérebro registrou aquela vivência de forma puramente emocional e por você tentar digeri-la sozinho, cada vez que fala sobre ela, conta sobre o ocorrido, lembra daquilo, produz sonhos (pesadelos) sobre o assunto, está fortalecendo essa memória no seu cérebro, tornado ela uma memória troco e definitiva, que não será esquecida facilmente. 

Aqui entra o EMDR, como um facilitador dessa "digestão" emocional. Ao aplicar a técnica de movimentos bilaterais, associada à racionalização da crença negativa ali sentida, juntamente com as emoções e as sensações físicas, o cérebro reprocessa o trauma vivido, digere a cena emocional, elabora de uma forma mais racional, deslocando a lembrança traumática do local onde estava fixada distorcida. Passa a ser vista de maneira diferente, muitas vezes a cena fica inacessível, ou apenas como flashes de algo distante... Uma fotografia preto-e-branco. 

Assim, você fica livre dos medos que a crença negativa impôs e olha para o passado apenas como algo que lamenta ter vivido, mas que não lhe incomoda nem lhe preocupa mais. 

Tem dúvidas sobre como funciona o EMDR? Se funcionaria no seu caso? Se é eficiente para a sua experiência? Se é possível voltar a ter uma vida sem medos e com liberdade e autonomia? Estou à disposição para tirar suas dúvidas e ajudar você a conhecer melhor essa terapia que é considerada, em muitas partes do mundo, a melhor terapia para limpar as crenças negativas das experiências vividas e reprogramar seu cérebro. 

Você está convidado a conhecer melhor o EMDR!! Acesse minha página no Facebook (https://www.facebook.com/EMDRPOA/) e fique por dentro dessa terapia incrível! E acompanhe aqui no blog, semanalmente, explicações de por que o EMDR deveria ser aplicado a todos nós em algum momento da vida!

29 de ago. de 2018

Você está enxergando bem?

Olá! Tudo certo? Vamos conversar sobre crenças negativas e positivas? Eu me peguei pensando que nossas vivências influenciam sim como vamos enxergar a vida. Porém, a maneira como recebemos cada experiência, seja ela positiva ou negativa, já está sob efeito das nossas crenças. Crenças estas que podem ser elaboradas antes de nascermos! 

Peguemos uma crença negativa como exemplo: "Não nasci para ser feliz". Quando uma pessoa tem este tipo de crença que, a propósito, é bem bloqueante, tudo o que ela fizer, vai levá-la de encontro a confirmação dessas palavras, pois o cérebro fantasia e direciona o ser humano para validar suas crenças. Essa pessoa vai "sobreviver" durante a idade escolar, vai passar cambaleando pela adolescência e, ao chegar na idade adulta vai concluir que realmente não nasceu para ser feliz. E ela pode provar! Claro que sim! Olha só: Durante a infância teve poucos amigos, se metia em encrenca e os pais viviam lhe dando bronca. Na adolescência, sempre aquela pessoa que para ela era especial, não lhe via da mesma forma, mas o mais feio da turma, queria ficar com ela. Teve dificuldade em escolher uma carreira profissional, pois não conseguia se imaginar com sucesso em nada. Acabou escolhendo a sugestão dos pais, se formou e passou a trabalhar numa área que não lhe faz feliz, ganha pouco e se estressa muito. Quanta tristeza junta, não é mesmo? 

Agora, peguemos crença positiva"Nasci pra ser feliz". Essa crença pode abrir portas, mas mais do que isso, vai fazer a pessoa enxergar as possibilidades que se apresentarem. Usando a mesma situação de cima: "Durante a infância teve poucos amigos" - mas aqueles poucos amigos que teve, foram especiais, importantes, verdadeiros! "Se metia em encrenca e os pais viviam lhe dando bronca" - era curiosa, estava descobrindo o mundo, não tinha medo de nada e mesmo com as broncas que levava, achava tudo uma aventura maravilhosa! "Na adolescência sempre aquela pessoa que para ela era especial, não lhe via da mesma forma, mas o mais feio da turma, queria ficar com ela" - Assim descobriu que existe muito além do que a aparência física e que as pessoas são muito especiais e únicas! "Teve dificuldade em escolher uma carreira profissional" - mas não porque não se via com sucesso. Pelo contrário, tinha muitas paixões e queria fazer de tudo um pouco! Tudo aquilo que tocava a deixava feliz. "Acabou escolhendo a sugestão dos pais" - fez isso com carinho e respeito e tornou essa escolha sua paixão, fazendo com dedicação e amor, sendo reconhecida e conseguindo as melhores oportunidades profissionais. 

Perceba que com o passar do tempo, a pessoa com a crença positiva, foi vendo as oportunidades e experiências pelo lado positivo e, assim, confirmando sua crença de que nasceu para ser feliz, atraindo coisas boas para a sua vida, indo além das aparências e do que "todo mundo" achava o melhor. Bem oposto ao que aconteceu com quem tinha a crença negativa. As oportunidades podem ter sido as mesmas, mas a maneira como cada uma vivenciou foi diferente, baseada no que cada uma acreditava, algo que já existia dentro delas. 

Se hoje as opções que se apresentam na sua vida são difíceis de aceitar, não são exatamente aquilo que você esperava, talvez seja porque, em algum momento da sua vida, uma crença negativa mudou sua forma de enxergar o mundo, distorceu sua visão e fez com que você vivesse focado em confirmar essa crença negativa, mesmo não sabendo disso. Pode ser que esteja perdendo oportunidades e não aproveitando e valorizando as oportunidades que já existem, tornando tudo mais pesado do que realmente é. Vamos tentar imaginar diferente? Tente enxergar por outro ângulo as situações que se apresentam na sua vida. Pare um pouco a correria. Olhe ao redor, escute, sinta! Tem muita vida aí pra ser vivida! 

14 de fev. de 2017

Quando o nosso sofrimento nos afasta dos outros

Chega uma hora que vem a necessidade de escrever. Não dá pra adiar mais. As coisas estão aflorando, as demonstrações, semana a semana, aparecendo e eu cada vez mais encantada com os resultados. É incrível que depois de 6 anos o EMDR ainda me surpreenda! Acredito que vá me surpreender sempre, pois cada novo paciente, é um novo caso, uma nova história de vida e sofrimento, nova forma de dessensibilizar e de reprocessar, novos labirintos cerebrais e novo caminho que o cérebro traça na tentativa de recuperar a memória saudável daquele momento vivido de forma tão dolorosa.

Ainda me emociono com o choro de alívio de alguns pacientes que depois de chorarem uma ou duas sessões de dor por terem que lembrar da cena traumática, sentem-se leves, como se já não carregassem aquele saco de cimento pesado sobre os ombros. E realmente não carregam mais. O que uma lembrança traumática faz com o emocional de uma pessoa é muitas vezes devastador. Só sabe quem sofre, só sabe quem tem medo, que acorda de madrugada no meio de um pesadelo e não vê sentido racional naquilo, apenas terror. Quem passa por uma experiência repetidas vezes, todas elas em pânico, por reviver a situação que deixou a memória salva de forma não-adaptativa, torcida, errada.

Essa semana pude ouvir mais uma pérola da paciente que atendo. Entre tantas coisas que ela fala depois de reprocessar as memórias traumáticas, refletindo e tendo insights incríveis, ela me saiu com essa: “Acho que preciso pedir desculpas à minha irmã por aquele dia...” Então me dei conta de quantas famílias têm problemas por situações traumáticas vividas e que não imaginam a importância de tratar seus medos e suas dores, para não carregarem mais o sofrimento do afastamento de um alguém tão importante: um irmão, uma mãe, um pai. Como se não bastasse ter sofrido o baque, naquele momento da dor, da reação desmedida, não-pensada, nós magoamos quem está ao nosso lado, sem nos darmos conta de que o outro também pode estar sofrendo. Os anos passam e carregamos a dor do momento e a raiva daquela pessoa em quem atiramos a culpa do que aconteceu, mesmo que ela estivesse ali na cena só como espectadora, como uma mãe presenciando o filho apanhar do pai alcoolizado. No momento em que este filho reprocessa a surra levada, percebe que a mãe também estava sofrendo ao presenciar a cena, percebe que ela estava vulnerável, impedida de reagir, com medo ou então que fez tudo o que estava ao seu alcance naquele momento. Os dois saem machucados da cena. Cada um com as suas feridas abertas. Mas talvez este filho tenha passado a vida ignorando, menosprezando e magoando a mãe com palavras e atitudes, por senti-la culpada, mesmo que inconscientemente. Ao tratar o seu trauma, enxerga a mãe sofrendo ali ao seu lado e tudo muda. É urgente o sentimento de culpa e a necessidade de pedir perdão por anos de sofrimento sem motivo.
E assim se dá no nosso cérebro racional. Quando o emocionar para de dar as ordens ao produzir força negativa dentro de nós, conseguimos olhar ao redor e enxergar os estragos que fizemos enquanto estávamos sob o efeito dessa dor. É o momento de reaprender a amar, reconquistar as pessoas que afastamos, voltar para o convívio dos familiares e amigos, conquistar novos desafios que antes não eram nem cogitados. Chega o momento de voltar a viver por completo!

27 de fev. de 2014

Medo de temporal, da violência urbana, de espíritos?

  Mais um desafio me é apresentado. Uma graça de menino, 14 anos, mas cheio de medos. Viver numa cidade violenta, que noticia diariamente na televisão os assassinatos, os assaltos, as violências contra qualquer um na rua é complicado quando uma cabecinha já tem tendências a guardar medos. E o que dizer então de um medo não muito comum que é o medo de ver espíritos? Um menino dessa idade já deve conseguir ficar sozinho em casa por alguns períodos, dormir sozinho em seu quarto há um bom tempo, sair pra rua para visitar amigos, ir para a escola etc. Alguém que tem medo de ficar sozinho porque um espírito pode lhe aparecer, não fica tranquilo um só minuto. Além desses dois, veio um medo muito comum e que as pessoas nem imaginam que podem se livrar facilmente dele: medo de temporal, com chuva forte, raios e trovões barulhentos.

  Esse caso, que comecei a atender essa semana, me fez perceber que um medo só não basta muitas vezes... Muita gente acaba "colecionando" pavores no dia-a-dia e vai se fechando dentro de casa, dentro de si... Achando que isso tudo vai passar, ou que é normal, ou que não tem o que fazer, já que as terapias tradicionais acabam demorando demais para dar resultado e o jeito é o psiquiatra dar um remedinho que faça a pessoa dormir e esquecer que tem medo.

  O EMDR vai atuar exatamente nestes casos em que os medos têm um início, um primeiro episódio, geralmente marcado por um susto, um trauma ou um Trauma. Os traumas com "t" são aqueles pequenos, que volta e meia passamos por um. Que por mais que deixe marcas, conseguimos levar a vida com ele na nossa sombra. Já os Traumas, com "T", são as coisas mais pesadas, os abusos na infância, tanto sexuais como morais, psicológicos, ou físicos; são os assaltos, sequestros... Esses deixam um registro na nossa memória de que nunca mais seremos os mesmos, nunca mais seremos livres quando tratarmos daquele assuntos, quando tocarem na nossa ferida. Esse aprisiona, tira a liberdade, a felicidade, a tranquilidade.

  Saber que uma técnica de psicoterapia tem tantos resultados positivos, em um curto espaço de tempo, e que é permanente, pois modifica a forma de armazenamento na memória do que foi registrado errado e por isso marcou, "traumatizou", é muito gratificante. Trabalhar com essa técnica e ver meus pacientes saindo do consultório depois de cinco ou seis sessões cheios de esperança, com alegria nos olhos e gratidão pela terapia é bom demais!

  Torço para que o mundo conheça melhor o EMDR, que possa se beneficiar mais e logo com ele! A longo prazo, nosso objetivo, como terapeutas de EMDR é diminuir a violência urbana, pois se uma pessoa que comete crimes tiver sua memória de infância, geralmente marcada pela violência, limpa e regenerada dos traumas sofridos, com certeza não reproduzirá aquilo que não lhe marca mais. Quem sofreu bulling e tiver sua memória recuperada e reprocessada podendo lidar melhor com essas lembranças, não precisará se vingar de tudo e de todos descarregando uma arma dentro de uma escola. E assim por diante. Quem está bem consigo mesmo não vai passar para o mundo nenhuma raiva recolhida, nenhum sentimento de vingança e nenhum comportamento aprendido e reafirmado por anos nos lares violentos.

7 de jun. de 2013

Quando a culpa não nos deixa...

Dia desses, atendendo uma paciente, nos demos conta de que a culpa por um ato realizado no passado era sua maior fonte de sofrimento no presente. Embora ela afirme com todas as letras que não se arrepende do que fez há 20 anos atrás, disse que durante o reprocessamento, a imagem deste ato veio forte em sua memória, a fazendo sentir-se punida hoje pelo que fez no passado. Como se não tivesse o direito de ser feliz devido a esta atitude.

Isso é muito comum entre pessoas que sofrem. A culpa por um ato impulsivo, impensado ou muito bem planejado, não escolhe suas vítimas. A culpa é como o cupim, logo que começa a roer, ninguém percebe, só vai ficando um pozinho, um pequeno sinal de que está ali. Mas se nada é feito, com o passar do tempo, corroi de tal forma que torna-se impossível permanecer em pé.

Fico me perguntando como uma pessoa consegue viver com um peso destes no coração e na cabeça. O pior de tudo é achar que não tem o que fazer, que a dor nunca passará e muitas vezes só de pensar em se ver livre da culpa com algum tratamento psicológico, já se sente culpada por não sentir mais culpa. É complicado mesmo.

Mas tudo isso tem solução. É rápido, mais do que a maioria dos tratamentos, talvez em um mês ou dois, entre 4 e 8 sessões de EMDR, a culpa vai embora. Não sem dor, pois curar feridas abertas doi e doi muito! Minhas pacientes saem estrassalhadas da primeira consulta em que têm o insight de que é a culpa a causa dos seus sofrimentos. Saem mal também quando começamos a cutucar as feridas, mas geralmente depois da terceira sessão, já não choram mais, já não doi tanto. E assim, a dor vai ficando no passado, junto com a lembrança, cada vez mais apagada, fazendo parte de quem foram um dia e não de quem são hoje.

As feridas podem ser curadas, acredite! O que aconteceu não será apagado, mas você conseguirá ver aquilo de uma forma mais branda e sem culpa, entendendo que era o que poderia ter sido feito no momento. Você perceberá que aquela estado de espírito ao qual havia ficado fixado, e por isso ainda doía e influenciava sua vida até hoje, não terá mais força, não será mais senhor da sua vontade. Aquelas atitudes impulsivas, que lhe faziam agir sem pensar e se arrepender depois ou não entender o porquê de agir assim, poderão ser revistas, repensadas, planejadas e se quiser, poderá modificar seus comportamentos, pois não estará mais sob o efeito de uma dor, de um trauma. O lugar do fantasmas é o passado.